Estudo reforça relação entre zika e anomalias em olhos de bebês

Pesquisadores identificaram antígenos do vírus da zika dentro da íris, retina e nervo óptico de fetos que tiveram síndrome congênita provocada pelo vírus e não sobreviveram. Segundo autores, trata-se do primeiro estudo a descrever uma ampla gama de anomalias provocadas nos olhos de vítimas. A pesquisa foi publicada no “JAMA Ophthalmology” nesta quinta-feira (21).

“Havia mudanças associadas com o desenvolvimento inicial dos olhos, os fotorreceptores estavam mais finos. Também havia atrofia do nervo óptico”, diz Sander R. Dubovy, em entrevista ao ‘JAMA Ophthalmology’.

Coletadas entre junho de 2015 até abril de 2017, as amostras vieram do Instituto Nacional de Saúde de Bogotá, na Colômbia, e foram analisados no Laboratório de Patologia Molecular na Flórida, em Miami, revela o G1.

A descrição das anomalias no olho é importante porque ainda há dúvidas se é exatamente a presença do zika no olho que leva às atrofias oculares ou se essas mudanças estariam associadas a um processo secundário ou uma reação à infecção.

Após a análise, segundo o estudo, “a presença do antígeno do zika nos tecidos oculares sugerem que as patologias encontradas e as transformações nos tecidos estão associadas ao zika.”

Pesquisas inicias com anomalias nos olhos foram feitas na Fiocruz

Um dos estudos a alertar para as anomalias de zika nos olhos foi feito no Instituto Fernandes Figueira (IFF), centro de referência para pesquisa no vírus ligado à Fiocruz, publicado em julho, também no “JAMA”.

Dentre outros achados, a pesquisa mostrou que as patologias oculares não necessariamente podem estar relacionadas à presença de anomalias mais graves no Sistema Nervoso Central. Entre os bebês estudados com patologias nos olhos, 41,7% não tiveram má-formação no cérebro e 33,3% não apresentaram anomalias aparentes no SNC.

Um outro estudo, publicado no “New England Journal of Medicine”, feito por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, mostrou que o vírus provoca infecções oculares em adultos. O estudo mostra caso de adulto de 40 anos que, após coletada amostra de humor aquoso do olho, teve comprovada a presença do zika no olho.

21/09/2017

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